A televisão matou a janela e assim eu luto contra a depressão

0,,43859953,00Quando tinha 8 anos de idade, achei no meio de um lixão, revistas da extinta Manchete, Cruzeiro e ali recortes de jornais com as programações dos canais de TV. Juntei aquele lixo, levei pra casa, separei por ordem e assim sabia que estava passando ‘’Xica da Silva’’ na Manchete_ que os seios de Tais Araújo era a notícia da época.

Não tinha televisor em casa, quando chegou foi no começo de 1997, uma TV antiga preto e branco que pegava quatro canais: Globo, Record, Band e Manchete (que agonizava nos seus últimos meses). Com minha avó, assistia ‘’Por Amor’’ terminava o capítulo e tinha por obrigação dormir. Acordava o galo cedo, ajudava um pouco nas tarefas de casa e numa mesa de madeira vermelha tinha um rádio de pilha. Ouvia grandes radialistas: Eli Corrêa, Sonia Abrão entre outros.

O tempo passou, meus avós que me criaram faleceram, fui morar só com 16 anos. Tinha o mundo na frente e alguns sonhos, um deles ser jornalista. (Ainda não consegui concluir). Com a febre do Orkut, participava de todas as comunidades sobre o assunto, ali fiz amigos, conquistei fontes (termo usado quando o informante/amigo lhe passa informações) fiz um blog.

A TV era e continua sendo minha única companhia. Não me vejo fora do meio ou fazendo outra coisa a não ser escrever, comentar e ser talvez um crítico de TV como meus ídolos: Sonia Abrão, Mauricio Stycer e José Armando Vanucci.

Coloquei no título uma frase de Nelson Rodrigues: ‘’A Televisão matou a janela’’ e assim luto contra a depressão. Depressão que me faz dormir tarde demais, ou nem dormir. Eu fui diagnosticado há quase 6 anos, mas eu já sabia que tinha antes disso. Amadureci cedo demais, precoce e os dias de luta na maioria não foram de glórias.

Escrever sobre TV é uma forma de driblar, me ajuda a manter ocupado. Ter um blog é a minha única zona de escape. Segundo um professor, faço o jornalismo independente (não é a toa que tem minhas contas do lado), preciso viver e quem curte meu trabalho ajuda. Agradeço um a um.

Remédios ajudam — e muito, em vias de momento. Nada que dure para a eternidade. Procurei por conta própria um médico, não estou sozinho e despesas de uma terapeuta afeta demais o meu orçamento. Não faço.  Descarrego no controle remoto, zapeando entre canais e escrevendo. Alimentando minha alma apesar de não ver o sol nascer. Mas não é tudo. Tem horas que volto ao passado e choro pensando no futuro. Na dificuldade do agora e na incerteza do que será do dia seguinte.

É apenas um artigo para desabafar, vou continuar sonhando, lutando e buscando um pequeno espaço na imensidão do universo. A TV me abriu portas, conheci grandes figuras e pessoas incríveis e generosas que tenho gratidão pelo resto da vida. Um dia a janela vai se abrir…. é questão de tempo. 

Guilherme Beraldo.

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2 respostas para A televisão matou a janela e assim eu luto contra a depressão

  1. Gilmar JM disse:

    A janela abre para quem merece e estou certo que a sua abrirá. Suas lutas, seus esforços serão compensados, força e tudo de bom.

  2. marcelo disse:

    legal, eu tbm ja tive tv a válvula,fiquei 8 anos sem uma, depois ganhei uma preto e branco, e só em 97 consegui juntar dinheiro e comprar uma sharp nova com fone de ouvido sem fio pra naõ fazer barulho na sala, tbm sonhei em ser jornalista. Não desisti não tá dificil pra todo mundo se pudesse ajudava esse site maravilhoso.

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